Perco-me muitas vezes à procura de uma resposta certa, de uma verdade ou de uma explicação para o tempo em que vivemos, o tal tempo contemporâneo. Como quadro: a sociedade de consumo encontra-se a todo vapor; a educação e a arte são indústrias, salvas raras exceções, não meios de resistência que valorizem o homem. Trabalho e televisão são a rotina. A religião surge como reguladora de um Estado dito laico, ou é fonte rica de renda obtida graças a fé, que ainda existe. Em resumo, capital, economia: poder, são a verdadeira cara por trás das máscaras de políticas democráticas. Esse bloqueio total, o desespero que sentimos hoje, deve-se talvez à antinaturalidade da democracia; o homem necessita a hierarquia, somos demasiado ambiciosos, logo, a igualdade é tão complicada.
Qualquer reflexão, pensamento e sentimento ficam sem lugar na cultura de massas, na GRANDE INDIFERENÇA. Mas há uma saída? Bom, resposta não há. Verdade não há. Existe vontade ainda e isso é tudo.
Essas dúvidas tocam o problema da teoria do conhecimento trabalhado por Husserl. Ele buscou por condições universais e atemporais de possibilidade de conhecimento, na tentativa de dar à filosofia certa rigorosidade sempre pretendida mas jamais alcançada. No início de minhas leituras, cria, eu, que a filosofia possuía respostas, guardava verdades, como fosse ciência da natureza. Mas com o passar dos anos, das leituras, vi como os filósofos divergiam entre si, cada um assegurando suas teses, opostas e sem validade prática. Husserl, como nós, também perguntou-se: para que serve isso, se na prática não funciona?
Sua nobre intenção foi dar à filosofia um caráter comunitário, torná-la uma busca de gerações por um sistema universal e válido objetivamente, como em uma ciência. Mas...não rolou. Ele morreu em 1932(acho) e depois disso a filosofia continuou a mesma.
Fica aquela desesperança... Será possível conhecer algo verdadeiramente? Mas, respondo: será que isso realmente nos importa? Em meio a um país como o Brasil, onde ainda tem gente que acha ser branca e nazista, não há filosofia ou teoria que dê conta.
Visto que aqui na Terra a coisa ficou feia, chega o momento de perguntar: há alguma chance? Bem, talvez. Isso depende da população, da gente que tá incomodada! Tendo em vista nossa falsa democracia e a impossibilidade do conhecimento em um país caótico que privilegia seu capital, não o desenvolvimento humano, mobilizo a teoria crítica desenvolvida nos Estados unidos nos anos 90 em diante, para que sirva de modelo de "chance".
Na verdade, o papel principal é das pessoas, grupos de minorias, como homossexuais e negros, que através de movimentos sociais conseguiram mudanças na legislação americana e conquistaram maior igualdade. A teoria crítica, após Habermas, apenas reconheceu nesses movimentos sociais uma possibilidade de construção da tal democracia, apontando bloqueios ou possibilidades de emancipação nos mais variados locais e épocas.
Uma de minhas apostas são os movimentos sociais. Há meios de construir uma social-democracia sem esperar que todos os oprimidos do mundo todo despertem de seus sonos fodidos e unam-se milagrosamente para lutar por um ideal. O socialismo não deu certo, mas nem por isso o mundo acabou. Pequenos grupos podem muito bem fazer barulho e serem ouvidos. Se há vontade, pode haver melhora. Difícil de acreditar, mas possível.